Plano Estratégico Quinquenal de Inovação da ANEEL 

Como direcionar os seus projetos de inovação de acordo com as ações do Programa de PDI ANEEL a serem realizados no período de 2024 a 2028.
Foto de Lucas Saraiva

Lucas Saraiva

Mestre em Engenharia Elétrica pela UFMG. Na ABGi, apoia clientes do setor de energia na utilização dos incentivos fiscais, oportunidades de fomento e investimento obrigatório da ANEEL e ANP.

O programa que apoia a inovação setor elétrico sofreu alterações e as empresas do setor de energia precisam entender os novos procedimentos para direcionar seus projetos e recursos de forma estratégica.  

Alinhar suas atividades de PD&I com as prioridades e metas estabelecidas no novo programa pode aumentar as chances de aprovação de projetos e de obtenção de outras oportunidades como a Lei do Bem e iniciativas de fomento. A seguir, compartilhamos o contexto do Programa, os eixos temáticos prioritários, boletim de acompanhamento dos investimentos e indicadores de resultados. 

 

Origem do Programa de Desenvolvimento ANEEL 

O Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do Setor de Energia Elétrica tem origem na Lei nº 9.991/00, estabelece que as concessionárias de serviços públicos de distribuição, transmissão ou geração de energia elétrica, bem como as permissionárias de serviços públicos de distribuição e as autorizadas à produção independente de energia elétrica, devem aplicar anualmente um percentual mínimo de sua Receita Operacional Líquida (ROL) em projetos de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do Setor de Energia Elétrica, conforme regulamentos definidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).  

O objetivo desse programa é promover a cultura da inovação por meio do investimento obrigatório em projetos de PD&I. Esses projetos estimulam a pesquisa e o desenvolvimento no setor elétrico brasileiro, resultando na criação de novos equipamentos, na digitalização do setor e no aprimoramento dos serviços prestados. Essas melhorias contribuem para a segurança do fornecimento de energia elétrica, a modicidade tarifária, a redução do impacto ambiental e a diminuição da dependência tecnológica do país. 

 

PD&I no Setor Elétrico 

A ANEEL determina que todas as empresas distribuidoras, transmissoras e geradoras do setor elétrico devem aplicar anualmente 1% de sua ROL em inovação. Desse montante, parte é destinada ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e ao CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), enquanto o total de 0,28% da ROL fica sob responsabilidade das empresas de energia elétrica (EEE) para a definição e execução de projetos de PD&I.  

Esses projetos devem ser priorizados conforme os procedimentos estabelecidos pela ANEEL no Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PROPDI) e orientados pelos resultados-chave (KRs) dispostos no Plano Estratégico Quinquenal de Inovação (PEQuI) 2024-2028. 

Os procedimentos para realizar projetos de PD&I com esse recurso sofreram alterações em 2023, publicada na RN 1.074/23, dando origem ao PEQuI e PRODPI, disponíveis para consulta no site da ANEEL na seção de Procedimentos, Manuais, Guias e Relatórios do PDI ANEEL. 

 

Temas estratégicos do PEQuI 2024-2028 ANEEL 

O Plano Estratégico Quinquenal de Inovação (PEQuI) da ANEEL, válido para o período de 2024 a 2028, é a principal diretriz  para as atividades de PD&I nas empresas do setor elétrico.  

Os temas prioritários refletem  os desafios atuais enfrentados pelo setor elétrico, e também direcionam  a aplicação do investimento obrigatório na busca por avanços tecnológicos e práticas sustentáveis que promovam um sistema elétrico mais eficiente, confiável e alinhado com as necessidades e expectativas da sociedade. Os sete temas prioritários do PEQuI 2024-2028 são:  

 

  1. Modernização e Modicidade Tarifária

Foca em promover a Transição Energética de forma justa, abordando desafios como perdas não-técnicas, vulnerabilidade social e o alto custo da energia para famílias de baixa renda. Envolve projetos que visam a revisão da estrutura de receitas e tarifas no setor elétrico, enfatizando a necessidade de atualização através da digitalização, descentralização, democratização e descarbonização. 

  1. Eletrificação da Economia e Eficiência Energética

Aborda a otimização do uso de energia ao longo de toda a cadeia produtiva, desde a produção até o consumo, buscando entregar mais serviços com o mesmo insumo energético ou os mesmos serviços com menos insumo. Isso inclui pesquisas em técnicas e processos industriais inovadores, como combustão, eletrólise, fermentação, entre outros, visando a redução do consumo de eletricidade e aprimoramento da eficiência energética. 

 

  1. Digitalização, Padrões e Cibersegurança

Abrange o aprimoramento do gerenciamento de carga elétrica, incluindo a integração de fontes de energia renovável, para manter o equilíbrio e a segurança na operação dos sistemas de energia. Este tema também se estende ao desenvolvimento de sistemas de controle e monitoramento avançados, capazes de acompanhar fluxos de energia, sua qualidade e custos associados, garantindo assim uma operação eficiente e transparente das redes elétricas. 

 

  1. Novas Tecnologias de Suporte – Inteligência Artificial, Realidade Virtual e Aumentada e Blockchain

Destaca a importância crítica das redes de transmissão e distribuição na transição energética. Este tema não só aborda o uso de novas tecnologias para aprimorar a eficiência e a gestão das redes elétricas, como também visa a otimização desses ativos essenciais, melhorando assim a detecção de falhas e a capacidade de restabelecimento do sistema. 

 

  1. Eletricidade de baixo carbono

Aborda a geração de eletricidade através de fontes renováveis e nucleares, incluindo solar fotovoltaica, eólica (onshore e offshore), energia oceânica, das marés, ondas, gradientes de salinidade, biocombustíveis, geotérmica e hidrelétricas. Além disso, contempla a energia nuclear sob rigorosas regulamentações e foco na produção de eletricidade.  

 

  1. Armazenamento de Energia

Foca em diversas formas de armazenamento de energia, incluindo baterias e outras tecnologias eletroquímicas, armazenamento eletromagnético por meio de super capacitores e ímãs supercondutores, além de métodos mecânicos como hidro bombeamento, armazenamento de energia em ar comprimido (CAES) e volantes para armazenamento cinético. Abrange também o armazenamento fotoquímico e térmico, com ênfase no desenvolvimento de materiais e sistemas capazes de melhorar o desempenho de armazenamento térmico, especialmente para aplicações em energia solar concentrada. 

 

  1. Hidrogênio

Concentra-se na produção de hidrogênio como fonte de energia limpa e renovável, enfatizando a importância de métodos de produção que não emitam gases de efeito estufa. O hidrogênio renovável é obtido através de recursos renováveis como energia hidráulica, biomassa, eólica, solar e energia nuclear, seguindo critérios específicos de sustentabilidade. Além da produção, o tema abrange o desenvolvimento de tecnologias que otimizem a eficiência energética na conversão e no armazenamento de hidrogênio, bem como no seu transporte, visando minimizar perdas energéticas.  

 

Análise dos investimentos do PDI ANEEL 

No que tange aos investimentos em PDI oriundos da obrigatoriedade setorial, a ANEEL publica mensalmente os dados brutos relacionados aos investimentos, mas o acesso aos dados não é suficiente: é preciso transformá-los em informações relevantes e em inteligência aplicável a estratégia de inovação de cada negócio. 

A ABGi Brasil e o Energy Future criaram o Boletim de Investimentos do PDI ANEEL (cadastre-se para receber) para apoiar as empresas e o ecossistema de inovação a compreender as nuances, extrair insights valiosos desses dados, e tomar decisões estratégicas orientadas aos dados, essencial para quem busca liderar e inovar no setor.

Indicadores de resultados 

O PEQuI apresenta também 20 KRs (Key Results) que direcionam as características essenciais para o desenvolvimento dos projetos, dentre estes, apenas 10 compõe o índice AMPERE que irá definir se a empresa será glosada ou não, nos casos em que a somatória ponderada dos atributos seja inferior a 0,85.  

Esses indicadores avaliam, por exemplo, a destinação de recursos para temas estratégicos (KR 9) bem como a maturidade tecnológica (TRL) envolvida nos projetos (KR 15). Com isso, as empresas devem avaliar tecnologias e soluções alinhadas a esses temas e TRL, visando obter um melhor resultado no índice AMPERE.  

 

Peso de cada atributo na composição do índice AMPERE do PEQul 2024-2028 

Atributo 

Resultado Chave 

Peso (wi) 

KR2 

Quantidade de peças de comunicação audiovisual publicadas em plataformas online. 

0,5 

KR4 

Percentual financeiro retornando como resultado dos portfólios de PDI. 

0,15 

KR5 

Percentual de aproveitamento dos projetos e ações do PDI ANEEl 

0,10 

KR9 

Percentual dos recursos investidos nos temas estratégicos do PEQul. 

0,25 

KR15 

Percentual de recursos investidos em projetos ou ações de PDI com TRL maior do que 6. 

0,15 

KR16 

Percentual de recursos de terceiros em relação ao investimento regulado. 

0,10 

KR17 

Quantidade de titulações de pós-graduação (lato e stricto sensu). 

0,5 

KR18 

Quantidade de pedidos de patente e de registros de Propriedade Intelectual – PI. 

0,5 

KR19 

Quantidade de publicações em periódicos internacionais e/ou nacionais classificados na lista Qualis Periódicos como A1, A2, A3 ou A4 (estrato A) no ano de publicação do artigo. 

0,5 

KR20 

Percentual de investimentos destinados a instituições de pesquisa sediadas nas regiões Norte – N, Nordeste – NE e Centro Oeste – CO. 

0,5 

 

Próximo passo para o setor 

A ABGi pode te ajudar a otimizar seus investimentos no portfólio de PD&I, combinando oportunidades de recursos financeiros, bem como na estruturação de processos e ferramentas para priorização, monitoramento e controle dos projetos de PD&I. Entre em contato conosco e acelere seus resultados no PDI ANEEL com segurança.  

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