ICT privada: as áreas essenciais para uma estrutura eficiente

Descubra o que caracteriza uma ICT privada, e conheça as 10 áreas que sustentam sua operação eficiente.
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Ana Luisa Brum

Graduada em Administração pela UNA, e pós-graduada em Finanças pela FDC. Na Abgi, atua em projetos de Lei do Bem, captação de recursos, estratégia de Global Funding e de ambientes de inovação.

Empresas que já consolidaram processos internos de PD&I encontram nos ambientes de inovação, principalmente na ICT privada, um veículo capaz de transformar competências acumuladas em uma nova frente de atuação, com maior autonomia para captar recursos, firmar parcerias e explorar comercialmente os ativos tecnológicos gerados, sem estar limitada aos ciclos e às prioridades do negócio principal.

Após estruturar uma ICT surge o desafio de garantir a sustentabilidade financeira e operacional da nova organização independente. Portanto, ao longo do texto, você vai entender o que é uma ICT, em que ela se diferencia de uma ICT pública, qual estrutura organizacional sustenta a operação e o papel de cada uma das principais áreas que a compõem.

O que é uma ICT

Um Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) é uma organização, pública ou privada, dedicada à geração, ao desenvolvimento e à difusão do conhecimento científico e tecnológico, com foco na produção de pesquisa, inovação e formação de competências técnicas e científicas.

A Lei de Inovação (Lei nº 10.973/2004), alterada pelo Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação (Lei nº 13.243/2016), define ICT, em seu art. 2º, inciso V, como:

“Órgão ou entidade da administração pública direta ou indireta ou pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos legalmente constituída sob as leis brasileiras, com sede e foro no País, que inclua em sua missão institucional ou em seu objetivo social ou estatutário a pesquisa básica ou aplicada de caráter científico ou tecnológico ou o desenvolvimento de novos produtos, serviços ou processos.”

Diferença entre ICT pública x ICT privada

É importante esclarecer que embora compartilhem a mesma finalidade de fomentar ciência e tecnologia, a ICT pública e a ICT privada se diferenciam em praticamente todos os aspectos jurídicos e operacionais:

ICT Pública ICT Privada
Natureza jurídicaDireito público (autarquia, fundação pública, órgão da administração direta)Direito privado sem fins lucrativos (associação, fundação privada)
CriaçãoPor lei ou decretoPor ato constitutivo privado (estatuto)
VinculaçãoPoder Executivo (federal, estadual ou municipal)Independente do Estado
Financiamento principalOrçamento estatal (Tesouro Nacional, estadual ou municipal)Recursos próprios, mantenedores, convênios e contratos privados
Fontes complementaresFundos setoriais (FNDCT, FINEP), CNPq, FAPs, contratos com empresasEditais públicos, doações, subvenções e fundos filantrópicos
ContrataçõesLicitação obrigatória (Lei nº 14.133/2021)Regime privado, com maior flexibilidade que o processo licitatório
GovernançaVinculada a normas de direito públicoConselho científico, curador e fiscal, porém com maior autonomia
Titularidade da PIPertence à instituição, com regras rígidas de licenciamentoMaior flexibilidade contratual na negociação
Partilha de royalties com inventoresMínimo de 5%, máximo de 1/3 (Marco Legal de CT&I)Definida livremente em contrato
Autonomia de gestãoBaixa, sujeita a normas e controles públicosAlta, regida predominantemente pelo direito privado

Estabelecidos esses alinhamentos conceituais, torna-se possível aprofundar a análise sobre a ICT privada, em especial aquelas fundadas por grupos empresariais. Para aprofundar no tema, também sugerimos a leitura do artigo: Por que investir na criação de um Instituto de Ciência e Tecnologia privado? 

É na operação cotidiana que a ICT privada efetivamente demonstra sua relevância e sua capacidade técnica de desenvolver, com agilidade, projetos de inovação tecnológica disruptivos de alto valor agregado.

No entanto, para obter os resultados planejados, a estrutura de inovação precisa dispor de uma organização interna, na qual diferentes áreas atuem de forma coordenada para transformar conhecimento em soluções para o mercado, e assim, gerar impacto para a empresa-mãe, o setor produtivo e para a sociedade.

A estrutura organizacional recomendada para uma ICT privada

Para operar de forma eficiente, sustentável e orientada a resultados, recomenda-se que a ICT privada possua uma estrutura organizacional composta por áreas técnicas, estratégicas e administrativas, que atuem de maneira complementar, semelhante a uma empresa privada. De forma geral, essa estrutura deve contemplar:

  1. Governança e Alta Gestão
  2. Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I)
  3. Negócios e Relacionamento Institucional
  4. Propriedade Intelectual e Novos Negócios
  5. Parcerias Estratégicas
  6. Administrativo-Financeiro
  7. Jurídico e Compliance
  8. Tecnologia da Informação (TI) e Dados
  9. Recursos Humanos (RH)
  10. Marketing e Comunicação

O papel de cada área na operação da ICT privada

A seguir, descreveremos brevemente como cada uma dessas áreas exerce um papel fundamental na sustentação e no desenvolvimento das atividades da ICT privada.

Governança e alta gestão

Garante que a ICT execute sua estratégia com resultado.

Principal objetivo

Responsável pelo direcionamento estratégico da ICT privada, pela definição de prioridades, pelo roadmap de atuação e pelo acompanhamento de indicadores de desempenho. Atua como elo entre ciência, inovação, estratégia e objetivos institucionais, apoiando decisões sobre sustentabilidade financeira, continuidade, escalabilidade ou encerramento de projetos.

Principais formações na equipe

Administração, economia, engenharia, ou profissionais com MBA em gestão da inovação.

Principais atividades diárias
  • Acompanhar indicadores de desempenho
  • Alinhar prioridades com mantenedores
  • Revisar o portfólio de projetos
Exemplo de KPI de resultado

% de metas estratégicas atingidas no ano.

Pesquisa, desenvolvimento e inovação

Desenvolve soluções tecnológicas.

Principal objetivo

Executa projetos de pesquisa aplicada, valida hipóteses, desenvolve protótipos e conduz iniciativas de inovação tecnológica. Seu principal desafio é equilibrar rigor técnico-científico com prazos, entregas e aderência às demandas do setor produtivo e da sociedade.

Principais formações na equipe

Engenharias, ciências exatas, química, física, formação técnica, mestrado ou doutorado.

Principais atividades diárias
  • Conduzir experimentos e testes
  • Construir e validar protótipos
  • Documentar resultados técnicos
Exemplo de KPI de resultado

Número de projetos por ano, número de patentes depositadas.

Fomento e relacionamento institucional

Converte demandas de mercado em projetos de PD&I financiados.

Principal objetivo

Mantém ativo o pipeline de oportunidades e stakeholders da ICT privada. Identifica demandas de empresas, parcerias para inovação e aproxima de órgãos de fomento, transformando desafios em oportunidades. Também apoia a estruturação de projetos, convênios e contratos de cooperação tecnológica.

Principais formações na equipe

Administração, marketing, engenharia, relações internacionais.

Principais atividades diárias
  • Prospectar parceiros e clientes
  • Mapear editais e oportunidades
  • Estruturar propostas e convênios
Exemplo de KPI de resultado

Volume de recursos captados no ano.

Propriedade intelectual e novos negócios

Protege e monetiza os ativos intelectuais gerados pela ICT.

Principal objetivo

Atua na identificação, proteção e gestão dos ativos intelectuais gerados pela ICT privada, como a gestão do portfólio de patentes, softwares, marcas e know-how, além de sua consequente exploração como fonte de receita. Apoia, ainda, estratégias de transferência de tecnologia, licenciamento e novos negócios, garantindo a proteção e a valorização dos resultados desenvolvidos, de modo que as inovações efetivamente cheguem à sociedade.

Principais formações na equipe

Direito, engenharia, profissional com especialização em PI.

Principais atividades diárias
  • Redigir e depositar patentes
  • Negociar licenciamentos
  • Avaliar potencial comercial de tecnologias
Exemplo de KPI de resultado

Número de patentes depositadas e receita de licenciamento.

Parcerias Estratégicas

Amplia a rede de colaboração técnica e científica da ICT.

Principal objetivo

Busca complementar competências técnicas e acelerar resultados por meio de alianças com universidades, startups, empresas, centros de pesquisa e instituições de fomento.

Principais formações na equipe

Administração, relações institucionais, engenharia.

Principais atividades diárias
  • Identificar parceiros complementares
  • Formalizar acordos de cooperação
  • Acompanhar projetos conjuntos
Exemplo de KPI de resultado

Número de parcerias ativas e projetos co-executados.

Administrativo-Financeiro

Garante a sustentabilidade financeira da ICT e de seus projetos.

Principal objetivo

Garante a sustentabilidade operacional e financeira do instituto e de seus projetos. Atua no controle orçamentário, na gestão de convênios e contratos, no fluxo de caixa, na prestação de contas e na análise de viabilidade econômica das iniciativas.

Principais formações na equipe

Contabilidade, administração, economia.

Principais atividades diárias
  • Controlar orçamento e contratos
  • Conciliar contas e fluxo de caixa
  • Preparar prestação de contas
Exemplo de KPI de resultado

Índice de execução orçamentária.

Jurídico e Compliance

Assegura a segurança jurídica e conformidade regulatória.

Principal objetivo

Estrutura convênios, contratos, acordos de confidencialidade e mecanismos de proteção institucional relacionados aos projetos desenvolvidos em parceria.

Principais formações na equipe

Direito.

Principais atividades diárias
  • Revisar contratos e convênios
  • Redigir acordos de confidencialidade
  • Acompanhar mudanças regulatórias
Exemplo de KPI de resultado

Tempo médio de análise contratual, redução de riscos.

Tecnologia da informação e dados

Garante infraestrutura tecnológica segura e disponível.

Principal objetivo

Responsável por sustentar a infraestrutura tecnológica da operação. Atua na segurança da informação, na disponibilidade de sistemas, na gestão e no armazenamento de dados de pesquisa e no suporte a ferramentas analíticas e de inteligência artificial.

Principais formações na equipe

Ciência da computação, engenharia de software, sistemas de informação.

Principais atividades diárias
  • Administrar sistemas e servidores
  • Gerenciar dados de pesquisa
  • Dar suporte a ferramentas de IA
Exemplo de KPI de resultado

Disponibilidade dos sistemas, tempo de resposta, redução de horas de retrabalho.

Recursos Humanos (RH)

Atração e retenção de talentos técnico-científicos qualificados.

Principal objetivo

Responsável pela atração, retenção e desenvolvimento de talentos especializados. Também contribui para a construção de uma cultura organizacional voltada à inovação, à colaboração e à aprendizagem contínua.

Principais formações na equipe

Psicologia, administração, profissionais com especialização em gestão de pessoas.

Principais atividades diárias
  • Recrutar especialistas
  • Conduzir treinamentos internos
  • Acompanhar clima organizacional
Exemplo de KPI de resultado

Taxa de retenção de talentos.

Marketing e Comunicação

Fortalece a imagem institucional e traduz resultados técnicos.

Principal objetivo

Fortalece a imagem institucional da ICT privada e amplia sua visibilidade junto à comunidade científica e ao ecossistema de inovação. Traduz entregas técnicas em linguagem acessível para associados, parceiros, empresas e sociedade.

Principais formações na equipe

Comunicação social, jornalismo, marketing, design.

Principais atividades diárias
  • Produzir conteúdo institucional
  • Gerenciar canais de comunicação com stakeholders
  • Organizar eventos institucionais e científicos
Exemplo de KPI de resultado

Share of mind, menções na mídia.

Valor estratégico de uma ICT privada bem estruturada

A consolidação de uma ICT privada vai muito além da formalização jurídica de uma estrutura independente dedicada à inovação. Uma ICT privada bem estruturada fortalece a capacidade competitiva das organizações às quais está vinculada, contribuindo para acelerar ciclos de inovação, ampliar e acelerar conexões com o ecossistema, captar recursos estratégicos para projetos de alto risco tecnológico e desenvolver competências tecnológicas de longo prazo.

Articular tudo isso à estratégia corporativa de longo prazo é um processo multidisciplinar, que raramente cabe apenas a uma diretoria de inovação atuando sozinha. É nesse ponto que a ABGi Brasil atua como parceira estratégica das empresas.

Experiência para apoiar a estruturação completa

Ao longo de quase duas décadas de atuação no Brasil, a ABGi acumula experiência apoiando empresas de diferentes portes e setores na estruturação de seus ambientes de inovação, desde a concepção jurídica até a operação madura para a longevidade da iniciativa.

Esse histórico se traduz em estruturas mais sólidas e consistentes, capazes de gerar resultados reais como o caso de sucesso do IHR, Instituto de Ciência e Tecnologia privado, criado pela Randoncorp. Entre os principais diferenciais dessa atuação estão:

  • Estudo sistemático do modelo jurídico mais adequado ao objetivo da empresa.
  • Levantamento de oportunidades de fomento.
  • Desenho de uma trilha de inovação e ESG conectada aos objetivos estratégicos de longo prazo da organização.
  • Equipe multidisciplinar, que combina conhecimento jurídico, tributário, técnico e de gestão da inovação.

Se sua empresa está avaliando constituir uma ICT privada ou outro ambiente de inovação, converse com os especialistas da ABGi Brasil.

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