Fomento para o Setor de Embalagem para a competitividade e sustentabilidade

Conheça o cenário de inovação do setor de embalagem e como a Lei do Bem poderia ampliar sua capacidade de responder às exigências do mercado
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Marina Souza

Graduada em Farmácia pela UFMG. Na ABGi, atua no monitoramento, submissão e prestação de contas de oportunidades nacionais e internacionais de fomento à inovação.

O setor de embalagens brasileiro vive um momento de transformação profunda, impulsionado por três grandes forças: sustentabilidade, pelo avanço do consumo por e-commerce e pela digitalização.

Hoje, o Brasil é o maior mercado de embalagens da América Latina e um dos maiores do mundo, reforçando sua relevância e a necessidade de investir em soluções que conciliem inovação, eficiência e responsabilidade ambiental.

Nesse cenário, a Lei do Bem e outros incentivos fiscais assumem papel estratégico ao permitir que empresas reduzam custos tributários e operacionais, acelerem o desenvolvimento de novos materiais e processos, respondendo às necessidades do mercado.

Neste artigo, vamos abordar o cenário do setor de embalagens no Brasil, onde está a inovação no setor, e o impacto da Lei do Bem para a competitividade.

O Setor de Embalagem no Brasil

O mercado brasileiro de embalagens é um dos maiores e mais dinâmicos da América Latina, com um volume de produção e faturamento expressivos. Segundo estudo macroeconômico conduzido pelo FGV IBRE para a ABRE, o Valor Bruto da Produção (VBP) do setor apresentou crescimento de 14,89% em 2024 em relação a 2023, enquanto o volume físico avançou 6,7%, superando a média da indústria de transformação, que cresceu 3,7% no mesmo período. Para 2025, as projeções indicam uma expansão mais moderada, em torno de 0,6%, sinalizando uma estabilização após dois anos de forte crescimento.

Conheça o processo macro da captação de recursos à inovação

Reciclagem e economia circular

Além do desempenho econômico, os avanços em reciclagem e circularidade evidenciam a maturidade e os desafios do setor. O mercado é segmentado por tipo de material (papel e papelão, plástico, metal, vidro), com uma cadeia produtiva complexa que também envolve setores como o de mineração, químico e o agronegócio.

O Brasil segue como líder mundial na reciclagem de latas de alumínio para bebidas, com um índice de 97,3% em 2024, o que corresponde a cerca de 33,9 bilhões de unidades recicladas no ano.

Já o setor de vidros vem consolidando um modelo consistente de logística reversa, com destaque para o programa Circula Vidro, que estabeleceu metas progressivas de reciclagem. Em 2024, foi anunciado o cumprimento das metas estabelecidas para o período, reforçando o amadurecimento do sistema e a capacidade de resposta da cadeia produtiva.

No caso dos plásticos, o cenário é de evolução, mas ainda com grande espaço para melhorias. A reciclagem mecânica pós-consumo total atingiu 20,6% em 2023, e, especificamente nas embalagens plásticas, o índice foi de 24,3%. Esses números reforçam a necessidade de investimento em inovação, novos processos e tecnologias, além de políticas de incentivo à economia circular como a Lei de Reciclagem.

A Lei do Bem se alinha perfeitamente a essas necessidades, oferecendo o suporte financeiro necessário para que as empresas do setor de embalagens possam investir em pesquisas e desenvolvimentos que resultem em soluções inovadoras e sustentáveis.

Onde a inovação está no Setor de Embalagem

A inovação no setor de embalagens acontece em várias frentes que dialogam com sustentabilidade, eficiência produtiva e experiência do consumidor. Esse movimento não é apenas resposta às pressões regulatórias e de mercado, mas também uma forma estratégica de gerar valor e competitividade.

Entender o que o mercado precisa e onde estão as lacunas tecnológicas são oportunidades para sua empresa investir em PD&I e se destacar. Pelo potencial inovador, também significa que há diversos mecanismos de apoio disponíveis, como listados no Mapa de Fomento, para compartilhar os custos e riscos deste tipo de projeto. Entre os principais eixos, destacam-se:

Ecodesign e circularidade

O ecodesign se tornou essencial para atender às metas de economia circular. Empresas têm investido na redução de peso das embalagens, diminuindo consumo de matéria-prima e custos logísticos, e no desenvolvimento de monomateriais, que facilitam a reciclagem. Além disso, projetos de design para desmontagem e reaproveitamento de componentes vêm sendo incorporados, aliados ao aumento do conteúdo reciclado pós-consumo (PCR), especialmente em plásticos e vidro.

Novos materiais e barreiras

A busca por embalagens mais sustentáveis também passa pelo desenvolvimento de materiais inovadores. Destacam-se os papéis com barreiras renováveis, que oferecem resistência à umidade e gordura, os bioplásticos e compósitos derivados de fontes renováveis e os aditivos funcionais que prolongam o shelf-life e asseguram a qualidade e a segurança alimentar. Assim como a criação de embalagens mais leves, que reduzam os custos de transporte e a pegada de carbono, como o estudo de polímeros biodegradáveis, plásticos de origem vegetal, fibras de celulose e outros materiais que ofereçam as mesmas ou melhores propriedades de barreira, resistência e durabilidade, mas com um ciclo de vida mais sustentável.

Automação e dados

No chão de fábrica, a automação e o uso de dados têm transformado processos de produção e controle de qualidade. Tecnologias como inspeção por visão computacional, rastreabilidade digital de produtos, gêmeos digitais de linha de produção e soluções de otimização energética estão tornando as operações mais seguras, ágeis e eficientes, além de reduzirem perdas e ampliarem a padronização.

Experiência do consumidor

A inovação também é orientada pelo consumidor final. Embalagens estão sendo projetadas para oferecer mais conveniência, como sistemas abre/fecha e porcionamento inteligente, assim como, para ampliar a interação com o produto por meio de QR codes, tecnologia RFID, selos digitais e mecanismos de autenticidade. Isso fortalece a relação marca–consumidor, abre espaço para aproximação com o consumidor final a partir de soluções mais personalizadas e digitais.

Impacto da Lei do Bem no Setor de Embalagem

A Lei do Bem é o principal incentivo fiscal multisetorial que oferece redução do IR de até 34% dos gastos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), entre outros benefícios. Isto é, um benefício que incentiva a investir em novas tecnologias, se tornar mais competitiva e reduzir os custos tributários.

Segundo dados do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), 3.878 empresas se beneficiaram da Lei do Bem em 2023, último dado disponível. Porém, não há uma categoria específica para o Setor de Embalagem, logo, as beneficiárias estão dispersas entre as categorias como a de Papel e Celulose, química/petroquímica, ou agrupadas em Outras categorias.

Na lista de empresas beneficiárias, é possível identificar pouquíssimas empresas de embalagens, o que é incompatível com o potencial do setor. A baixa adesão pode ser explicada por uma combinação de desconhecimento, fatores estruturais, culturais e técnicos.

  • Dificuldade na caracterização formal da atividade de P&D: Muitas empresas do setor de embalagem podem realizar melhorias incrementais ou adaptações, mas não estruturam essas iniciativas como projetos formalizados de P&D, dificultando a comprovação documental exigida pela Lei do Bem. Essa informalidade compromete o enquadramento dos gastos como dedutíveis. Leia também: Gestão de projetos de inovação com foco nos incentivos fiscais à inovação
  • Falta de cultura de inovação e conhecimento técnico sobre os incentivos fiscais: Pequenas e médias empresas, comuns no setor de embalagem, frequentemente desconhecem os detalhes da Lei do Bem, seus benefícios e os procedimentos para comprovar e registrar os investimentos em PD&I. Leia também: Estratégias para desenvolver uma cultura de inovação no ambiente corporativo.
  • Barreiras organizacionais e estruturais: Muitas empresas do setor não possuem ambientes ou equipes dedicadas à inovação, P&D ou gestão de projetos tecnológicos. Sem essa estrutura, torna-se mais difícil planejar, executar e documentar projetos nos moldes exigidos para obtenção dos incentivos fiscais. Leia também: Por que ter uma estrutura independente dedicada à inovação?
  • Risco percebido e custo inicial de investimento: A inovação no setor de embalagens pode demandar investimentos iniciais significativos em equipamentos, laboratórios ou testes, e as empresas podem não conseguir mensurar o retorno da inovação. Leia também: KPI – A chave para direcionar resultados de inovação

Próximo passo para inovar mais

O setor de embalagens no Brasil se encontra em um momento decisivo: ao mesmo tempo em que consolida sua relevância econômica no mercado global, também é pressionado a responder às demandas crescentes por sustentabilidade, eficiência produtiva e inovação.

A Lei do Bem e outros incentivos fiscais deixam de ser apenas um benefício financeiro e passam a ser instrumentos estratégicos de transformação, viabilizando investimentos em PD&I que dificilmente seriam possíveis apenas com recursos próprios das empresas.

A ABGi Brasil possui equipe multidisciplinar capaz de mapear oportunidades tecnológicas, estruturar projetos de PD&I, capacitar sua equipe, estruturar processos, e criar uma estratégia completa de aproveitamento dos incentivos fiscais disponíveis.

Faça como diversos casos de sucesso da ABGi que transformaram inovação em crescimento com a Lei do Bem. Se sua empresa deseja liderar a próxima geração de soluções em embalagens, a ABGi pode apoiar em toda a jornada de inovação e fomento, entre em contato.

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