Fomento Internacional: Brasil, EUA e França comparados

Compare as políticas de fomento à inovação no Brasil, EUA e França e saiba como estruturar sua estratégia global de P&D com mais assertividade.
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Marina Garcia

Graduada em Engenharia de Produção pela UFSJ. Na ABGI, atua em projetos de incentivo fiscal à inovação tecnológica da Lei do Bem e captação de recursos para projetos.

Governos criam políticas públicas para estimular o desenvolvimento e a implementação de novas ideias em produtos, serviços e processos, com impacto direto no crescimento econômico e na produtividade. Segundo diretrizes amplamente discutidas em organismos como a OCDE, essas políticas costumam combinar instrumentos diferentes, como incentivos fiscais, financiamentos e subvenções, e, justamente por isso, variam bastante de um país para outro.

Entender o contexto de fomento de cada país é essencial para empresas que possuem unidades em mais de um país, com o objetivo de responder o seguinte questionamento: Qual o local mais adequado para construção ou expansão da área de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação? A resposta está no Global Funding.

Ao longo deste texto, analisamos o como navegar pelas políticas do Brasil, Estados Unidos e França para você estruturar sua estratégia de fomento global com mais clareza e comparabilidade.

Fomento internacional e políticas de inovação

Por que o “mesmo tema” muda de país para país? Embora muitos países adotem políticas de fomento à inovação, existem diferenças relevantes na forma como essas políticas são estruturadas e nas áreas priorizadas.

Na prática, isso significa que um mesmo projeto pode ter aderência excelente em um país e baixa aderência em outro, não por falta de mérito técnico, mas porque as agendas públicas, os critérios de elegibilidade e os instrumentos disponíveis mudam conforme objetivos econômicos, industriais, sociais e ambientais de cada governo.

É por esse motivo que o fomento internacional precisa ser tratado como parte do planejamento corporativo, e não apenas como uma busca pontual por editais. Quando a empresa consegue comparar oportunidades de forma consistente, ela melhora a alocação de esforços, reduz retrabalho e aumenta a previsibilidade do pipeline de submissões.

Leia também: O que podemos aprender com outros ecossistemas de inovação.

Fomento internacional: exemplos de como as prioridades se expressam

Com base nas chamadas públicas e programas lançados, é inteligente alinhar o planejamento estratégico da empresa às políticas locais. A ABGi, como empresa global e possui um monitoramento ativo das oportunidades para alimentar o Funding Map, e fez uma análise no cenário do Brasil, Estados Unidos e França para facilitar a sua estratégia de fomento e tomada de decisão.

bandeira brasil

Brasil: agências, instrumentos e áreas estratégicas

No Brasil, FINEP e BNDES se destacam como principais agentes de fomento à inovação, com lançamento recorrente de oportunidades de subvenção econômica e programas contínuos de financiamento. Além disso, o país definiu as seis áreas estratégicas de investimento para os próximos anos, a Nova Indústria Brasil :

  1. Cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais para a segurança alimentar, nutricional e energética;
  2. Complexo econômico industrial da saúde resiliente para reduzir as vulnerabilidades do SUS e ampliar o acesso à saúde;
  3. Infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis para a integração produtiva e o bem-estar nas cidades;
  4. Transformação digital da indústria para ampliar a produtividade;
  5. Bioeconomia, descarbonização, e transição e segurança energética para garantir os recursos para as gerações futuras;
  6. Tecnologias de interesse para a soberania e a defesa nacionais.

Assim, para os próximos anos, pode-se esperar que sejam lançados programas aderentes às essas linhas temáticas.

Fomento Internacional: Brasil, EUA e França comparados

Estados Unidos: protagonismo de departamentos federais e força dos estados

Nos Estados Unidos, chamadas públicas são frequentemente originadas de departamentos executivos, e o Departamento de Energia é um dos provedores relevantes de fomento no país. Além disso, a atuação de governos estaduais é representativa, com oportunidades específicas por estado ou cidade.

Outro ponto relevante para quem trabalha com fomento internacional é a mudança de prioridades ao longo de diferentes administrações. Por exemplo, houve uma mudança significativa entre o governo Biden e o governo Trump, quando se trata de fomento ao desenvolvimento econômico.

Enquanto o governo Biden realizava investimentos relevantes em projetos relacionados à transição climática, o governo Trump vêm colocando esforços nos setores de defesa e soberania nacional, a fim de reduzir a dependência de fornecedores externos. Outro tema forte do novo governo está relacionado à melhoria da saúde pública.

Para empresas, o impacto direto é: acompanhar atualizações de cenários e traduzir essas mudanças em novas priorizações de projeto com potencial de fomento, além de rever o roadmap de curto e longo prazo.

frança

França e Europa: agências estruturantes e escala via Horizon Europe

Na França, ADEME (Ecological Transition Agency), ANR (French National Research Agency) e Bpifrance (Bank of Ivestment) se consolidam como as três principais agências de fomento do país.

A ADEME se destaca por seu foco em sustentabilidade e transição ecológica, a ANR tem atuação ampla, apoiando pesquisa e inovação em diferentes temas e setores. E o Bpifrance priorizará, até 2029, temas como reindustrialização, descarbonização do setor produtivo e apoio à inovação e ao empreendedorismo.

Além do fomento nacional, a Europa conta com o Horizon Europe, programa continental de fomento que lança chamadas com frequência e, muitas vezes, exige consórcios com organizações de ao menos três países da União Europeia. Inclusive com chamadas para cooperação com outros países fora da União Europeia.

Para empresas, isso amplia a escala possível de captação e colaboração, mas também aumenta a necessidade de organização, gestão de projetos e gestão de Propriedade Intelectual.

Como encontrar oportunidades internacionais

Construir um portfólio de fomento internacional exige visão comparativa que conecte prioridades públicas, instrumentos disponíveis e o portfólio de inovação e ESG da empresa, país a país. Como as políticas variam em estrutura, prazos e temas, a capacidade de monitorar e comparar oportunidades com consistência se torna um diferencial de execução.

A ABGi apoia essa jornada combinando experiência global em fomento à inovação com dados e inteligência prática por meio do Funding Map, que consolida incentivos, programas e chamadas públicas em diferentes países para sustentar decisões mais rápidas e alinhadas à estratégia corporativa.

Se sua empresa quer entender melhor o ecossistema de inovação em diferentes mercados e estruturar uma estratégia global de fomento internacional com método e soluções digitais com IA, entre em contato com a ABGi e agende uma conversa com nossos consultores experientes.

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