A Copa Energia, líder no mercado brasileiro de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e com atuação em gás natural e biometano, aprovou R$ 3 milhões em recursos não reembolsáveis junto à Finep para o desenvolvimento de uma rota tecnológica voltada à mistura e ao envase de um blend de hidrogênio e GLP. A iniciativa, batizada de Blend H₂-GLP, será executada em parceria com o Instituto Avançado de Tecnologia e Inovação (IATI) e terá duração prevista de 28 meses.
O projeto foi uma das 23 propostas selecionadas pela Finep, em um universo de 214 propostas submetidas por empresas de diferentes setores. A estruturação da proposta contou com o apoio da ABGi Brasil, consultoria especializada em estratégia de inovação, captação de recursos e incentivos para PD&I.
Desafio: apoio na transição energética
A iniciativa da Copa Energia mira um dos principais desafios da transição energética: reduzir emissões em usos finais de energia que ainda dependem de combustíveis fósseis, sem exigir uma substituição imediata da infraestrutura existente.
O foco está no desenvolvimento de uma solução que permita incorporar hidrogênio ao GLP em botijões de diferentes capacidades, preservando requisitos de segurança, estabilidade da mistura e eficiência no processo de combustão.
O GLP é amplamente utilizado no Brasil em aplicações residenciais, comerciais e industriais. A adição de hidrogênio, combustível que não emite CO₂ em sua queima, pode abrir uma frente tecnológica relevante para a descarbonização gradual desse mercado.
No entando, o desafio é menos trivial do que a simples mistura entre dois combustíveis, pois o hidrogênio tem molécula pequena, alta difusividade e comportamento distinto em sistemas de armazenamento, válvulas e componentes metálicos, o que impõe barreiras técnicas relevantes à sua aplicação em recipientes originalmente projetados para GLP.
Benefícios da aplicação distribuída para o hidrogênio
Embora o hidrogênio seja frequentemente associado a projetos de grande escala, como siderurgia, refino, fertilizantes e mobilidade pesada, a iniciativa da Copa Energia se destaca por explorar uma aplicação distribuída, conectada a um combustível já presente no cotidiano de milhões de consumidores.
Se bem-sucedido, o projeto poderá gerar conhecimento técnico aplicável a uma rota intermediária de descarbonização, combinando inovação incremental em infraestrutura existente com desenvolvimento experimental de novos componentes e materiais. Essa abordagem pode ser especialmente relevante em mercados nos quais a substituição integral de equipamentos, redes e hábitos de consumo tende a ser lenta, custosa ou tecnicamente limitada.
Importância do Blend H₂-GLP para ampliação da agenda de inovação em transição energética na Copa Energia
Para a Copa Energia, o projeto reforça uma agenda de inovação orientada à transição energética, em um mercado pressionado por novas exigências e pela busca de alternativas de baixa emissão de carbono.
A subvenção de R$ 3 milhões cobre parte do custo do projeto, atualmente classificado como de alto risco tecnológico, justamente a categoria em que o setor privado não financia com facilidade. No caso do Blend H₂-GLP, trata-se de uma rota de alto risco tecnológico, na qual ainda será necessário validar materiais, componentes, segurança operacional, estabilidade da mistura e desempenho da combustão.

Resultados diretos e indiretos para a Copa Energia
A aprovação junto à Finep também sinaliza a capacidade da Copa Energia de converter desafios de mercado em projetos estruturados.
Resultados do processo de captação:
- Aprovação de R$ 3 milhões em recursos não reembolsáveis junto à Finep;
- Compartilhamento do risco tecnológico de um projeto classificado como de alto risco;
- Redução da dependência de capital próprio para viabilizar a inovação em fase experimental;
- Parceria formalizada com um ICT para execução do projeto.
- Geração de ativos tecnológicos e conhecimento técnico aplicável a uma rota intermediária de descarbonização;
- Aprendizado industrial com potencial de novas aplicações para toda a cadeia de valor da Copa Energia;
- Fortalecimento do posicionamento da Copa Energia como protagonista em soluções de baixo carbono para um combustível já consolidado no mercado brasileiro
- Aumento da maturidade em relação à gestão estratégica dos recursos financeiros para inovação.
ABGi: conexão entre estratégia empresarial e fomento à inovação
A ABGi Brasil apoiou a Copa Energia na estruturação completa da proposta de captação de recursos submetida à Finep, com foco na organização técnica, financeira e estratégica do projeto. O trabalho envolveu o enquadramento das atividades de PD&I, a consolidação do orçamento, a construção da justificativa tecnológica e a adequação da proposta aos critérios da chamada pública.
Em uma seleção com total de 214 propostas submetidas e apenas 23 aprovadas, a consistência da estruturação foi um fator relevante para que o projeto avançasse. A atuação da ABGi buscou garantir que o escopo aprovado fosse tecnicamente defensável, financeiramente coerente e passível de execução e comprovação.
Agora, com o projeto em andamento, a consultoria também apoia a prestação de contas junto à Finep, com foco na organização das evidências técnicas, financeiras e documentais da execução. Essa etapa é essencial para assegurar a rastreabilidade entre o projeto aprovado, os recursos aplicados e os resultados efetivamente alcançados.

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