Conectando Lei do Bem e ESG: Como Transformar Incentivos Fiscais em Valor Estratégico

Integrar sustentabilidade e inovação é essencial para otimizar processos, reduzir custos e impulsionar o atingimento das metas da agenda 2030.
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Juliana Calil

Graduada em Química pela USP e MBA em ESG pela Trevisan. Possui mais de 10 anos de experiência na área de inovação. Na ABGi, atua em projetos de incentivos e fomento para ESG.

A inovação orientada à sustentabilidade (sustainable-oriented innovation) se refere ao desenvolvimento de produtos, serviços e processos que simultaneamente promovem crescimento econômico e reduzem impactos negativos ao meio ambiente e à sociedade. Ignorar essa tendência pode resultar na perda de relevância, redução da competitividade e dificuldade de acesso a capitais e novos mercados. 

A busca por resultados mais consistentes sobre o portfólio de inovação e por um futuro mais sustentável tem exigido transformações na forma como as grandes empresas se organizam, bem como que alinhem suas estratégias de inovação com metas ambientais, sociais e de governança (ESG). Nesse contexto, a Lei do Bem — tradicionalmente vista como um mecanismo para reduzir custos de P&D — ainda é subutilizada como ferramenta estratégica para impulsionar projetos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela ONU e direcionadores da Agenda 2030. 

Apesar de muitos gestores de inovação e ESG estarem atentos ao potencial da Lei do Bem, é comum encontrarmos uma aplicação desconectada de outros processos estratégicos da empresa, como a priorização de projetos estratégicos e a elaboração dos relatórios de sustentabilidade. Este artigo propõe um novo olhar sobre esse incentivo fiscal, explorando como integrá-lo à agenda ESG e aos ODS, ampliando seu impacto e gerando valor real para os negócios e para a sociedade. 

 

Estágios da integração entre inovação e sustentabilidade 

É importante compreender o processo de maturidade da integração entre inovação e sustentabilidade, de forma geral, observamos três estágios mais comuns: da atuação isolada, passando por uma colaboração inicial, até a integração estratégica. A Lei do Bem pode ser o incentivo catalisador dessa evolução, promovendo sinergia entre áreas e promovendo uma governança sistêmica sobre a inovabilidade. 

Conectando Lei do Bem e ESG: Como Transformar Incentivos Fiscais em Valor Estratégico

A seguir, gostaria de explorar as características de cada etapa e possibilidades de avanço para integração estratégica.

Lei do Bem TIC

Etapa 1 – Atuação Isolada

Inovação e Sustentabilidade em silos 

atuação isolada

Nesta fase, as iniciativas de inovação e sustentabilidade orbitam separadamente a estratégia do negócio, sem alinhamento ou colaboração estruturada. 

Etapa 2 – Colaboração Inicial

Convergência tática entre Inovação e Sustentabilidade

colaboração inicial

As áreas começam a compartilhar projetos e identificar sinergias, ainda de forma pontual, mas sem reconhecimento do potencial estratégico da colaboração. 

Etapa 3 – Integração Estratégica

Integração estruturada com foco em valor sustentável 

integração estratégica

Inovação e sustentabilidade tornam-se elementos centrais e interdependentes da estratégia do negócio, com governança integrada, metas comuns e impacto ampliado. 

 

A Lei do Bem como aliada da agenda ESG  

A Lei do Bem permite a dedução de despesas com inovação tecnológica, o que inclui pesquisas voltadas a processos mais eficientes, desenvolvimento de novos produtos e soluções sustentáveis. Projetos voltados para eficiência energética, economia circular, redução de emissões e inclusão social — todos alinhados aos ODS — podem ser elegíveis e ainda gerar ganhos fiscais. 

 

Lei do Bem apoiando a inovação 

Muitas empresas ainda se encontram na Etapa 1 – Atuação isolada, não existem projetos conjuntos e/ou interação entre os times. No que tange a Lei do Bem, a área de inovação é envolvida no processo operacional de forma limitada ao benefício fiscal. Nesses casos, pode haver uma interação pontual com o time de sustentabilidade para fins de mapear iniciativas já realizadas e que envolvam inovação. O resultado é uma desconexão entre os processos, que incluem esforços sobrepostos: inovação segue seu curso mapeando iniciativas em diversas áreas para fins de Lei do Bem, enquanto sustentabilidade foca em mapear iniciativas e gerar relatórios anuais que muitas vezes são similares com apresentações diferentes.  

 

Lei do Bem apoiando a inovação e a sustentabilidade 

Quando as empresas evoluem para a Etapa 2 – Colaboração Inicial, começam a surgir projetos conjuntos entre inovação e sustentabilidade. Embora a atuação ainda seja pontual, já se reconhece o potencial estratégico da colaboração. A Lei do Bem pode atuar como vetor dessa convergência, incentivando financeiramente projetos sustentáveis e fornecendo evidências técnicas que também podem alimentar relatórios GRI e a comunicação integrada ESG.  

Reflexão: se o portfólio de inovação for analisado frente aos ODS prioritários definidos pela empresa, como está a distribuição dos recursos e quais são os resultados esperados? Ao mapear o que foi realmente realizado, por meio do processo da Lei do Bem, como os ODS estão representados? Há metas e compromissos públicos sem projetos e investimento aplicados no ano base analisado?  

Reflexão: se o portfólio de inovação for analisado frente aos ODS prioritários definidos pela empresa, como está a distribuição dos recursos e quais são os resultados esperados? Ao mapear o que foi realmente realizado, por meio do processo da Lei do Bem, como os ODS estão representados? Há metas e compromissos públicos sem projetos e investimento aplicados no ano base analisado?  

Por exemplo, as empresas que utilizam o ABGi Smart Control, ferramenta completa para gestão da Lei do Bem, têm a visão dos componentes dos projetos como gastos, horas, distribuição dos projetos por tipo de inovação, e inclusive distribuição dos projetos por ODS. Facilitando a visualização e priorização do portfólio alinhado à estratégia. 

Além disso, existe uma sinergia natural entre o trabalho das equipes responsáveis pela Lei do Bem (geralmente inovação e tributário) e as áreas de sustentabilidade e relações com investidores (RI), que produzem os relatórios anuais nos padrões GRI (Global Reporting Initiative) e IFRS. Ambas as frentes trabalham com um processo demandante de informações semelhantes — como resultados de P&D, indicadores de impacto, metas ambientais e sociais — e deveriam caminhar juntas, otimizando recursos, processos e estruturas corporativas. 

 

Lei do Bem apoiando os resultados do negócio 

Ao integrar essas iniciativas, as empresas caminham para a Etapa 3 – Integração Estratégica, em que inovação e sustentabilidade tornam-se forças complementares, com governança compartilhada, metas convergentes e impacto ampliado.  

Ao extrapolar a análise das informações mapeadas com fins específicos para cada um dos processos de suporte para a Lei do Bem e para os relatórios anuais de sustentabilidade, é possível identificar pontos de sinergia e alavancar os resultados do negócio sobre os compromissos da Agenda 2030. A atuação conjunta das equipes de inovação e sustentabilidade torna-se essencial para decisões mais eficazes e coerentes com os compromissos assumidos pela organização. 

Para aprofundar no tema, leia também: A interface entre práticas ESG e estratégias de inovação 

 

Caminhos para a integração efetiva 

Segundo estudo realizado pela IBM, Beyond checking the box, 43% dos investimentos corporativos em sustentabilidade são direcionados apenas à elaboração de relatórios, e não à transformação efetiva. Essa abordagem limitada reduz a capacidade de gerar valor real, tanto para sustentabilidade, quanto para inovação.  

A integração com a Lei do Bem pode promover uma governança orientada à inovação sustentável, com maior credibilidade e impacto. Para uma integração efetiva, utilizando a Lei do Bem como alavanca, as empresas devem observar os seguintes aspectos:  

Usabilidade dos dados 

É preciso coletar os dados dos projetos de inovação de forma estruturada para ser possível analisar e gerar insights que demonstrem impactos ESG e contribuam para os relatórios GRI. 

 

Pessoas e governança 

Envolver os gestores certos e promover a colaboração entre áreas (inovação, tributário, sustentabilidade e RI) é essencial para decisões assertivas e eficazes. 

 

Temas materiais 

Conhecer temas materiais e metas estratégicas — geralmente descritos nos relatórios de sustentabilidade — é fundamental para alinhar inovação e impacto. Em seguida, é necessário mapear projetos de inovação em andamento e futuros, analisando também os recursos investidos. 

 

Análise por tema e ODS 

Relacionar as metas públicas da empresa com o portfólio de inovação permitirá identificar lacunas e oportunidades para apoiar o atingimento dos objetivos estratégicos. Com isso, é possível analisar os impactos diretos e indiretos de cada projeto com os ODS. 

 

Alocação de recursos 

Priorizar projetos que otimizem o uso dos recursos em prol da Agenda 2030 e do desenvolvimento sustentável, considerando critérios objetivos que contemplem, para além do potencial de retorno financeiro, ganhos em inovação e sustentabilidade.  

 

Da dedução fiscal à estratégia sustentável 

Alinhar a Lei do Bem às metas de sustentabilidade vai além de uma boa prática: é uma oportunidade concreta de integrar áreas, otimizar recursos e gerar impacto real. Ao conectar inovação, ESG, ODS e relatórios GRI, as empresas aumentam sua eficiência operacional e fortalecem reputação e vantagem competitiva. 

Ao incorporar os conceitos apresentados neste artigo e avançar no processo de maturidade — da atuação isolada até a integração estratégica — gestores de inovação e ESG estarão mais preparados para: 

  • Otimizar investimentos em projetos estratégicos; 
  • Evitar duplicidade de esforços na geração de informações; 
  • Fortalecer a governança e a comunicação com stakeholders; 
  • E, sobretudo, transformar o incentivo fiscal em motor de transformação sustentável. 

 

Como a ABGI Brasil pode apoiar 

A ABGI Brasil apoia empresas na criação de estratégias integradas que conectam inovação à Agenda 2030, alavancando os resultados da Lei do Bem e impulsionando o crescimento sustentável. 

Empresas que utilizam a Lei do Bem têm uma vantagem adicional: podem mapear seus projetos com critérios específicos para identificar a correlação com os ODS e indicadores GRI para demonstrar como a inovação apoia a agenda de sustentabilidade da empresa. 

Quer construir essa jornada na sua empresa? Fale com um especialista da ABGI Brasil. 

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